
#5 The Strokes:
Um concerto que apesar de sobre-lotado (pelas piores razões possíveis) e inexplicavelmente curto conseguiu erigir grandes níveis de energia e fazer jus ao melhor da banda.
#4 The Vaccines:
Apesar de maior parte do público do palco secundário ter corrido para ver o óptimo set dos The Strokes, foram os The Vaccines que venceram o desafio. Pelo fulgor inesgotável descarregado em cada segundo das curtas – mas gigantes apresentações – de cada uma das músicas e pelo espaço em si proporcionar as condições necessárias para um óptimo concerto. Fossem os concertos todos aqui.
#3 PORTISHEAD:
A banda de Bristol confirmou a coesão e singularidade mostrada com o antecipado Third, o melhor álbum de 2008 e tão arrebatador quanto os anteriores registos dos Portishead. E em semelhança também com o concerto que deram no Coliseu nesse mesmo ano, o alinhamento percorreu o melhor da banda de modo equilibrado e fulminante. Mas, ao contrário do que aconteceu em Lisboa, aqui o público da era SMS/3G, puramente a marcar presença como em grande parte dos concertos dos cabeças de cartaz, foi brutalmente desrespeitador e, por momentos, deliberadamente atroz. No entanto o som desnorteante e portentoso – ‘We Carry On’ é capaz de ser das melhores músicas alguma vez tocadas ao vivo – ainda se deixa ecoar pelas veias e a voz espectral e penetrante de Beth Gibbons merece todos os sacrifícios.
#2 ARCADE FIRE:
Depois de um concerto cancelado graças à cimeira da NATO e meses e meses de antecipação, tudo estava a postos para um evento estrondoso e transcendente. E assim o foi. Poucas bandas se aproximam do brilhantismo e efervescência de palco de Win, Regine e a sua família de nómadas instrumentistas e cantores. Está aqui representada a essência das seculares companhias de trovadores e a religiosidade que emerge a união entre a música e o público. Para chegar à perfeição faltou revisitar momentos fulcrais de Neon Bible – ainda de longe o melhor trabalho da banda – e um som e espaço que fizesse justiça aquela que provavelmente se tornará na melhor banda do mundo. Não há nada no entanto que bata o uníssono de Wake Up entoado por dezenas de milhares de almas. Catarse pura.
#1 LYKKE LI:
Muitos provavelmente já o esperavam mas a mera entrada de palco de Lykke Li com ‘Jerome’ foi o suficiente para eclipsar quase tudo o que o SBSR viu nos seus 3 dias. Todos os astros se alinharam, literalmente, com a lua e as estrelas a brilharem sob o magnífico palco secundário e a personagem sedutoramente fantasmagórica da cantora e compositora sueca, construída para o tremendo ‘Wounded Rhymes’, a mistificar todos aqueles que tiveram o privilégio de a vislumbrar. O feitiço foi ininterrupto e avassalador e a dispersão de energia de ambos os lados criaram a comunhão perfeita entre carne, sangue e espírito, erigida pelo paganismo negro da presença e voz mesmerizantes de Lykke Li e uma banda perfeita que soube dar à pop (des)encantada da artista a magia necessária que transformou este concerto no melhor do festival. E um dos melhores do ano.
Menções honrosas: a sinfonia dos Beirut e o carisma de Brandon Flowers
Menções desonrosas: a derradeira perda de singularidade dos The Gift e a organização pavorosa do festival