
A capacidade de Alexander Payne de contar histórias é notável. Desde Election até About Schmidt, passando pelo soberbo Sideways, o aclamado cineasta soube glorificar histórias humanas sem as preencher de lugares comuns e dando-lhes liberdade de serem autênticas e naturalmente invulgares. The Descendants é mais uma clara e inolvidável confirmação da regra, trazendo à tela a vida de uma família desconjuntada por um evento trágico, levando um pai à redescoberta das próprias filhas. E graças ao talento quase insondável e subtil de Payne, o que poderia ser uma premissa banal eleva-se a uma obra carregada de pequenos mas significativos olhares sob as desnorteantes idiossincrasias dos sentimentos humanos, um filme sem pompa nem artificialismo dramáticos e munido de uma identidade própria que tão cedo não nos abandona. Tudo isto aliado à melhor interpretação de sempre de George Clooney, totalmente absorvido na personagem e na suas contradições emocionais. Pela primeira vez George Clooney deixa de ser George Clooney e revela-se um actor magnífico. E anotar este nome: Shailene Woodley.
4 stars